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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O laranjal de Flávio Bolsonaro: e-mails da PF ligam candidato a conta conjunta com advogado investigado na fraude do INSS. Quadrilha tem laços com Kássio Nunes, presidente do TSE

A Polícia Federal já encaminhou ao STF pedido de investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e Willer Tomaz — amigo, advogado e dono de bet que movimentou bilhões; voos do candidato na Europa foram pagos por offshore do ramo de apostas

Contexto

A menos de duas semanas do segundo turno, a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz de Sousa, investigado no esquema de descontos indevidos em aposentadorias do INSS — a chamada Operação Sem Desconto. A informação foi publicada na segunda-feira (19) pela Gazeta do Paraná e corrobora reportagens das últimas semanas do UOL, Folha de S.Paulo e Estadão. O documentário “Revelando: O Laranjal”, apresentado por Fábio Porchat, sistematizou a teia de relações — e o SOL DO CARAJÁS cruzou cada alegação com o que já foi publicado pela grande imprensa. Eis o que se sabe até aqui.

 

OS E-MAILS: FLÁVIO COMO “USUÁRIO MASTER” EM CONTA DE EMPRESA DE WILLER

O elo central foi revelado pelo jornalista Fábio Serapião, do UOL, em 10 de outubro: e-mails encontrados pela PF no iCloud do próprio Willer Tomaz indicam que Flávio Bolsonaro dividia uma conta bancária no Santander com o advogado.

A conta era da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira (Portugal), da qual Willer é sócio. Flávio Bolsonaro estava cadastrado como “usuário master” — nível elevado de acesso e gerenciamento do dinheiro. Em 22 de maio de 2025, um mês após a primeira fase da Operação Sem Desconto, a funcionária do escritório de Willer, Fayla Zulmira Menezes, enviou e-mail ao Santander pedindo a desassociação da conta “Flávio Bolsonaro” do usuário master — e o banco confirmou a exclusão no mesmo dia. Em relatório revelado pela jornalista Malu Gaspar (O Globo), a PF escreveu que o acesso de Flávio à conta sustenta “a hipótese de uma participação societária de fato” — o sócio que não aparece no contrato.

O que dizem os envolvidos: a assessoria de Flávio afirma que ele “nunca manteve conta tendo como usuário master o sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas” e que o e-mail prova que o cadastro era indevido. Willer nega ter compartilhado conta: “Não existe e-mail de minha parte e não existe essa conta.”

WILLER TOMAZ: QUEM É O ADVOGADO DAS BETS

Willer é um advogado criminalista de Brasília, amigo declarado de Flávio (“as nossas esposas são amigas, nossos filhos são amigos”). Ele é alvo da Operação Sem Desconto por suspeita de funcionar como “central financeira e patrimonial de políticos” — empresas que movimentam dinheiro, pagam despesas e administram bens de terceiros sem que eles apareçam como donos.

Os números sobre apostas, publicados por veículos diferentes, variam — e é importante registrar a discrepância:

Fonte

Movimentação em bets

UOL (30/09)

R$ 6,6 bilhões apostados em 18 meses (jan/2025 a jul/2026), segundo documentos da própria defesa; prejuízo declarado de R$ 188,5 milhões

Folha (30/09)

mais de 2.145 depósitos somando R$ 325 milhões e ~3.000 saques somando R$ 180 milhões na Blaze

Revista Fórum / Jornal do Brasil

movimentação de até R$ 13 bilhões em bets; perda de R$ 163 milhões em 2025 numa única plataforma

CPMI do INSS (Senado)

análise de RIFs do Coaf aponta que Willer movimentou R$ 45,5 milhões em transações atípicas


Willer alega ludopatia (vício em jogos) para explicar os valores — tese usada pela defesa numa ação de indenização contra a Blaze. A PF investiga se as bets foram usadas como mecanismo de lavagem: deposita-se dinheiro de origem suspeita, aposta-se e saca-se parte como “ganho de jogo” — um “pedágio” que limpa o dinheiro.

Elo adicional: a Folha revelou em 15/10 que a Cathedral, offshore na Ilha da Madeira e única acionista da Rede Loto — primeira bet licenciada no país, da qual Willer é dono junto com Jorge Barbosa Dias — pagou voos de Flávio Bolsonaro na Europa (trecho Lisboa–Nice, em 11/04/2025, contratado com a NetJets). Pelo menos três trechos entre Portugal e França, em abril e maio de 2025, foram pagos pela offshore, segundo a PF.

O ESQUEMA DO INSS: DINHEIRO DE APOSENTADO

O pano de fundo é a fraude contra aposentados: associações de benefícios firmavam convênios com o INSS para cobrar mensalidades diretamente da aposentadoria — sem autorização do segurado, com assinaturas falsas, autorizações inventadas e até voz falsificada. Em cinco anos, mais de R$ 6 bilhões foram descontados sem consentimento. O aposentado nem sabia que era “associado”.

A PF aponta como centro do esquema o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”, preso desde setembro de 2025, e seu contador Alexandre Caetano dos Reis, preso desde dezembro. E aqui o documentário expõe as coincidências que a PF investiga:

  • Alexandre Caetano dos Reis é o contador do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro (aberto em 2021).
  • A irmã dele, Letícia Caetano dos Reis, administra o escritório de Flávio desde 16/04/2021 — e disse à Agência Pública que chegou lá por indicação de Willer (fato confirmado em documento oficial da CPMI do INSS no Senado).
  • Willer defende o contador preso na Justiça.
  • A Bravo Grafeno (fábrica de capacetes de Flávio e do irmão Carlos) está registrada numa sala em Águas Claras (DF) onde também estão registradas pelo menos 16 empresas ligadas ao “careca”.
  • A empresa do careca também fez repasse de ~R$ 1 milhão a uma lobista ligada a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — que é investigado em três inquéritos no STF, mas não foi citado no relatório da PF que indiciou o careca nem indiciado/denunciado (a própria PF, em relatório de setembro, diz não haver indícios de envolvimento direto dele nos descontos).

Importante: até hoje não há investigação formal aberta contra Flávio no caso do INSS. Os elos acima são apontados pela imprensa e pela CPMI como indícios a serem apurados, não como conclusão.

O “LARANJAL”: A DOMÉSTICA QUE PRESIDE 14 EMPRESAS

O documentário e a investigação do ICL apontam o padrão de interpostas pessoas: Lídia Mazelli, 61 anos, aparece formalmente no comando de 14 empresas ligadas a Willer — incluindo a WT, que ficou com a mansão de Angra dos Reis. Quando a repórter bateu na porta, Lídia respondeu: “Não, eu sou doméstica aqui”. A WT também é dona da casa do senador, segundo o documentário. O jogador Richarlison reclamou publicamente no Instagram que perdeu na Justiça uma ilha em que investiu ~R$ 10 milhões, após suposta disputa envolvendo Flávio e Willer: “Flávio Bolsonaro e o tal do Willer Tomaz foi lá e em 24 horas pegaram a posse... Eu não recebi nada”.

A REDE VORCARO–KASSIO–WILLER

O “laranjal” se entrelaça com o caso do Banco Master que o SOL DO CARAJÁS já cobriu: a mesma empresa de Willer (Alcazar) aparece em sociedade com empresas ligadas a Daniel Vorcaro (jato executivo, mansão em Angra, apartamento em SP); Vorcaro está preso; e o ministro Kassio Nunes Marques — que hoje preside o TSE, justamente a corte que conduz esta eleição — é citado nas mensagens. Todas essas alegações seguem em apuração, com negativas dos citados.

O QUE DIZEM OS ENVOLVIDOS (NEGATIVAS)

Envolvido

Posição

Flávio Bolsonaro

Nega conta conjunta com Willer; classifica informações como falsas; diz que são apenas amigos

Willer Tomaz

Nega conta compartilhada, vínculo societário oculto com a Blaze e relação financeira irregular com o senador

Assessoria de Flávio

“Nunca manteve conta tendo como usuário master o sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas”

Willer (sobre os voos)

Alega ludopatia; defesa diz que movimentações foram por Pix e rastreáveis

______________________

NOTA EDITORIAL: Este texto distingue fatos já publicados por veículos consolidados (existência dos e-mails, pedido da PF ao STF, voos pagos por offshore, documentos da CPMI) de hipóteses investigativas e alegações do documentário (participação societária oculta, uso das bets para lavagem). Todos os citados gozam de presunção de inocência e negam as acusações. Não há, até o momento, denúncia formal contra Flávio Bolsonaro. O SOL DO CARAJÁS acompanhará a decisão do STF sobre o pedido da PF e a tramitação da CPMI do INSS.

FONTES: UOL (10 e 30/09 e 10/10), Folha de S.Paulo (10 e 15/10), Estadão (10/10), Jornal do Brasil (10/10), Revista Fórum (10/10), Gazeta do Paraná (19/10), Opera Mundi (16/10), documento da CPMI do INSS (Senado Federal) e documentário “Revelando — O Laranjal”.

SOL DO CARAJÁS — Jornalismo Investigativo | Parauapebas/PA | Documento elaborado em 21 de outubro de 2026.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

A CONDUTA DE FLÁVIO BOLSONARO NO CASO ANA CLARA: A MENINA DE 5 ANOS ASSASSINADA COM UM TIRO DE FUZIL

Cinco anos e sete meses após a morte de Ana Clara Gomes Machado, o policial militar acusado de disparar o fuzil segue em liberdade e o júri popular nunca aconteceu. O senador e candidato à Presidência integrou a defesa do réu em 2024 e tentou reverter a decisão que o levaria a julgamento.

Assassinada com tiro de fuzil

A morte de Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, voltou ao centro do debate presidencial brasileiro. A menina foi atingida por um tiro de fuzil na manhã de 2 de fevereiro de 2021, quando brincava na porta de casa na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Mais de cinco anos e sete meses depois, o policial militar acusado pelo disparo segue em liberdade e o julgamento pelo Tribunal do Júri nunca ocorreu. O caso ganhou nova repercussão após o debate presidencial da Band, realizado no domingo (18), e a circulação do documentário "O Julgamento que Nunca Aconteceu", da série "Revelando", apresentado por Camila Pitanga.

O fato

Ana Clara tinha acabado de acordar. Brincava na porta de casa com o irmão mais novo quando foi atingida por disparos de fuzil. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o disparo fatal partiu da arma do cabo Bruno Dias Delaroli, integrante do 12º Batalhão da Polícia Militar. O agente foi denunciado por homicídio doloso — quando há intenção de matar ou se assume o risco de provocar a morte.

Delaroli foi preso em flagrante, mas passou a responder ao processo em liberdade a partir de novembro de 2021. Desde então, aguarda julgamento em liberdade.

A perícia que derruba a tese de confronto

A defesa do policial sustenta que houve confronto: Delaroli teria sido recebido por cinco homens, dois deles armados com pistolas. A perícia da Polícia Civil, porém, chegou ao local pouco depois do crime, com a PM ainda presente, e encontrou apenas munição de calibre 7,62 mm — o mesmo calibre do fuzil do policial. Nenhuma munição de pistola foi localizada.

Um morador que presenciou a cena relatou que os policiais só socorreram Ana Clara, que sangrava no chão, após muita insistência, e que tentaram alterar a cena do crime. A perícia da arma confirmou que o projétil que atingiu a menina partiu do fuzil de Delaroli.

A entrada de Flávio Bolsonaro no processo

Em 2024, o então deputado e hoje senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, passou a integrar a equipe de defesa de Delaroli. O momento é preciso: a defesa havia acabado de perder no Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma tentativa de anular a decisão que mandava o policial a júri popular.

Foi depois dessa derrota que Flávio apareceu no processo, assinando de próprio punho um novo recurso para reverter a determinação. A equipe jurídica apresentou outras medidas, mas o STJ negou o pedido e a decisão de submeter Delaroli ao júri foi mantida. Segundo reportagem do jornal Bem Paraná, o processo transitou em julgado em agosto de 2025 e não cabe mais recurso contra a ida do PM a júri.

A atuação se deu no exercício da advocacia. A Constituição Federal assegura a qualquer pessoa acusada de um crime o direito à ampla defesa, incluindo a possibilidade de contestar decisões e apresentar recursos à Justiça. Não há, até aqui, decisão judicial que impute irregularidade à conduta do senador nesse caso.

O júri que nunca aconteceu

Mais de cinco anos após a morte de Ana Clara, o julgamento ainda não havia ocorrido até outubro de 2026. A previsão atual, segundo a família, é 5 de maio de 2027. O caso já teve o júri adiado duas vezes.

O documentário revelando a verdade

O episódio "O Julgamento que Nunca Aconteceu", da série "Revelando", vai além do caso Ana Clara e constrói uma tese: a de que julgamentos de policiais no Rio não travam por lentidão, mas por ação deliberada de gente com poder:

  • Adriano da Nóbrega: Flávio teria entregado a maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio (Medalha Tiradentes) ao tenente do Bope enquanto ele estava preso, acusado de homicídio. A mulher de Adriano teria passado 11 anos empregada no gabinete de Flávio, e a mãe, dois anos e meio — saíram um mês após a eleição dele ao Senado.
  • Patrícia Acioli: após o assassinato da juíza (21 tiros, agosto de 2011), Flávio teria escrito que a forma como ela "humilhava policiais" contribuiu para ela ter inimigos.
  • Marielle Franco: o documentário afirma que Robson Calixto, o "Peixe" — apontado como quem apresentou os executores aos mandantes — pediu ajuda a uma secretária parlamentar e que, no mês seguinte, saiu uma emenda de quase R$ 200 mil para um projeto de futebol infantil na Taquara, com recursos posteriormente apontados como desviados.
  • Outras defesas: Flávio assinaria ainda a defesa de dois acusados no esquema do "Faraó dos Bitcoins" e de outros policiais acusados de homicídio.
  • Dado estrutural: entre 2007 e 2022, o Rio teria registrado 629 chacinas cometidas por policiais — e apenas duas viraram denúncia. Das 27 maiores (oito mortos ou mais), nenhuma chegou ao fim do julgamento.

A voz da mãe

O trecho mais forte do documentário é o depoimento da mãe de Ana Clara, que teve a filha aos 15 anos:

"Ela que me ensinou a ter maturidade, ela que me ensinou a ser mãe, ela me ensinou a trocar fralda, ela me ensinou tudo. Ela foi a luz da minha vida."

Sobre o julgamento:

"Foi adiado duas vezes esse ano. Me falaram que vai ser só dia 5 de maio de 2027."

Sobre a defesa:

"É surreal acreditar como uma pessoa querendo ser presidente do Brasil defende um cara sem escrúpulo nenhum. Ele tentou anular o júri do cara que matou minha filha."

Sobre o medo:

"Do Flávio vir como presidente e a justiça pela vida da minha filha não ser feita. Ele sem ser presidente já está fazendo o que está fazendo."

O contexto político

O caso foi mencionado por Lula durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band no domingo (18). O presidente cobrou explicações do adversário sobre a defesa do policial, em meio a uma troca de acusações sobre segurança pública. Flávio defendeu a advocacia como atividade legítima.

Na manhã de segunda-feira (19), o termo "flavio bolsonaro caso ana clara" liderou os assuntos mais pesquisados do Brasil no Google Trends, com mais de 1 milhão de buscas em 24 horas.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Flávio/Trump ameaçam a economia paraense e podem devastar a prosperidade dos municípios mineradores: Canaã, Marabá e Parauapebas



Parauapebas tenta um triplo suicídio

Com o resultado eleitoral do primeiro turno, a impressão é que o município de Parauapebas/PA tentou um triplo suicídio: político, econômico e moral.

O suicídio político

Entre os presidenciáveis, o pior candidato para o município de Parauapebas, Flávio Bolsonaro, submisso ao Trump, presidente dos Estados Unidos, foi justamente o que obteve a maior votação, foram 89.244 votos ou 58,95% dos votos válidos. 

A cidade além de perder dois deputados, um federal e um estadual, insiste na tentativa de suicídio político iniciada em 2024, nas eleições municipais, aumentando a dose do veneno, é o que mostra a votação dos deputados no município, os ganhadores são todos alinhados ao projeto de submissão do Brasil ao Trump, além da evidente desqualificação dos nomes que lideraram a disputa ao parlamento é triste constatar que não tinham qualquer chance de eleição, buscavam apenas atrapalhar e fazer a cidade perder a sua representação na Alepa e na Congresso Nacional.

O suicídio econômico: o que Trump já fez ao Brasil 

Trump, em conluio com Flávio e Eduardo Bolsonaro, já tinha imposto uma sobretaxa de 50%, em meados de 2025, derrubando as exportações para os EUA por 9 meses consecutivos, queda de 11,3% só em abril/2026, compensadas pela negociação do atual governo Lula com  a China, aumentando as exportaçoes em 32,5% no mesmo mês para o tigre asiático.

Em julho/2026, Trump, novamente em conluio com os Bolsonaros, impôs uma tarifa adicional de 25%, atingindo 19% das exportações para os EUA.

Em agosto/2026, os EUA acusaram o Brasil de ajudar a China a driblar tarifas e colocaram o país em lista de alto risco comercial. Nove países latino-americanos receberam a mesma acusação.

A "Doutrina Donroe" de Trump, que os Bolsonaros apoiam, declara proeminência americana na América Latina, com objetivo explícito de afastar a China de ativos estratégicos, recursos naturais e infraestrutura da região, exatamente o mecanismo que pode devastar a economia de Parauapebas e do Pará. Não existe mercado americano que absorva o minério de Carajás. A China, por outro lado, tem alternativas de fornecimento (Austrália para ferro), o que dá a Pequim poder de retaliação seletiva, como já fez com carnes brasileiras e com produtos australianos em 2020-2022.

Flávio traduz um cenário de alinhamento e riscos ao Brasil

O chinês é conhecido pela sua paciência, mas não custa lembrar que 'paciência tem limites'.

Uma China que perceba o Brasil como parte do bloco americano, certamente buscará diversificar seus fornecedores e gradualmente diminuirá a participação brasileira no seu mercado, atingindo o fluxo de US$ 77 bi/ano na relações comerciais, o que implicará na perda do superávit recorde de US$ 25,51 bi. 

O impacto específico no Pará: o elo mais exposto e mais ameaçado por uma evetual eleição de Fávio Bolsonaro

Canaã dos Carajás, Marabá e Parauapebas exportam cerca de 98,5% para a China (US$ 6,8 bi só no 1º semestre). O minério de ferro de alto teor do S11D não tem mercado alternativo nos EUA, se a China reduzir compras em resposta a um alinhamento Brasil-EUA, não há substituto imediato para a venda desses produtos, a devastação econômica seria total. As receitas de royalties (CFEM) e a economia dos três municípios ficariam na linha de frente de qualquer retaliação.

O pior cenário

O cenário realista para um Brasil alinhado com TRUMP não é "negociar a retirada das tarifas", mas de submissão e subordinação a fundos de investimento sob controle americano e distanciamento da China, viriam restrições à participação chinesa em infraestrutura. Para o Brasil, a conta é pior: o que os EUA oferecem como mercado (9,61% das exportações, em queda, com déficit brasileiro) não compensa arriscar o fluxo chinês de US$ 77 bi (30,72%, em alta, com superávit de US$ 25,51 bi).

Ao Pará, a implicação é direta: Trump exigiria de um governo alinhado/submisso algo que precisamente a região menos pode dar, ou seja, o afastamento da China, comprometendo 98,5% das exportações de Canaã, Marabá e Parauapebas. 

Suicídio moral

A cidade destinou uma montanha de votos para um candidato envolvido com mafioso Vorcaro (aqui), a quem pediu R$ 134 milhões, um candidato sócio do Willer Tomaz, advogado e maior golpista do INSS, ambos são acusados de lavagem de dinheiro roubado dos aposentados (aqui).

Tem mais, o sujeito escolheu como vice um acusado de estupro contra uma menina de apenas 13 anos de idade, sendo salvo por uma decisão de arquivamento pelo STF (aqui).

Não bastasse, Flávio Bolsonaro é defensor de um PM que utilizou um fuzil pra assassinar uma criança de apenas 5 anos de idade, a Ana Clara (aqui). 

Inacreditável, o sujeito ainda é acusado algo inédito, juntamente com seu sócio, o bandido Willer Tomaz: tomar (roubar) uma ilha, em Angra dos Reis, de um famoso jogador de futebol da seleção brasileira (aqui).

REAGE, PARAUAPEBAS!

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Prefeito de Parauapebas transforma cumprimento de ordem judicial contra propaganda eleitoral irregular em nova propaganda e com pedido explícito de voto


Prefeito debocha da Justiça Eleitoral

O prefeito de Parauapebas/PA, Aurélio Goiano, transformou o cumprimento de uma decisão judicial do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) em espetáculo de deboche e desrespeito total à Justiça Eleitoral.

Em 24 de setembro de 2026, o prefeito compareceu ao comitê, promoveu a retirada do totem e, no mesmo ato, publicou vídeo (reel) em sua conta do Instagram (@aurelio_goiano), com a seguinte legenda:

"É com muita tristeza que estou fazendo isso. Mas decisão judicial não se discute, se cumpre. Dito isso, vou votar 22 para presidente e 22 para deputado federal, @joaquim_passarinho."

O vídeo exibe em cena o totem com a imagem de Bolsonaro, o comitê eleitoral e o próprio prefeito, convertendo o cumprimento da ordem judicial em veículo de propaganda eleitoral — com pedido explícito de voto e menção nominal ao candidato beneficiário. A publicação alcançou repercussão imediata: mais de 3 mil curtidas em cerca de duas horas.

O prefeito foi acompanhado de algumas pessoas, não sendo possível afirmar tratar de servidores públicos municipais, o próprio deslocamento do prefeito até o comitê também é motivo de questionamentos, não sendo possível precisar se o veículo também seria bem público ou locado com recursos públicos.

Direito Eleitoral

Segundo especialistas em Direito Eleitoral, o prefeito esvaziou completamente o cumprimento material da ordem, frustando a sua finalidade. O prefeito afirma que levará a propaganda irregular pra sua própria residência, ou seja, apenas a mudaria de local. 

A decisão judicial visava cessar os efeitos da propaganda irregular instalada no comitê; o Prefeito, contudo, no mesmo ato de cumprimento, produziu e veiculou vídeo exibindo o conteúdo removido, com pedido de voto, dando-lhe publicidade ainda maior do que a veiculação original. 

Em sentido funcional, portanto, a medida judicial foi frustrada pelo próprio agente que a cumpriu. 

Caso a decisão de origem tenha cominado multa ou vedado novas publicações de conteúdo semelhante — prática usual nesse tipo de ordem —, o descumprimento formal restará igualmente caracterizado, configurando, em tese, o crime do art. 337-E da Lei nº 9.504/1997 (descumprir, injustificadamente, decisão de juiz ou Tribunal Eleitoral), cuja apuração compete ao Ministério Público Eleitoral.

Por certo, os autores e o Ministério Público Eleitoral tomarão as medidas cabíveis.
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Veja o instagram do prefeito aqui com o vídeo aqui

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Prefeito Aurélio e 15 vereadores apoiam forasteiros ou parentes; ex-prefeito Darci Lermen quer votos em candidatos de Parauapebas



Quarto maior colégio eleitoral do Pará, município vê fragmentação dos votos locais enquanto a Câmara Municipal se divide entre candidatos de fora e familiares; ex-prefeito é a exceção e aposta na cidade de Parauapebas

Parauapebas, o quarto maior colégio eleitoral do Pará, vive um paradoxo nas eleições de 2026: enquanto o prefeito Aurélio Goiano e a maioria dos vereadores da Câmara Municipal abraçaram candidaturas de forasteiros ou parentes, o ex-prefeito Darci Lermen aposta em nomes com trajetória construída no município. O comportamento do grupo que hoje comanda a cidade gera questionamentos na população local e abre espaço para uma grande fragmentação dos votos parauapebenses no cenário estadual e nacional.

Aurélio Goiano: apoio tóxico a candidato de fora

Com rejeição nas alturas, o prefeito Aurélio Goiano abandonou a possibilidade de defender um nome de Parauapebas para deputado federal. Em vez disso, abraçou a candidatura do forasteiro Joaquim Passarinho (PL), o escrachado pedido de voto foi publicado na mesma rede social em que faz propaganda das ações do governo municipal, que, segundo críticos, tem pouco a mostrar.

O comportamento, apontado como "apoio tóxico", enfraquece politicamente o município e abre espaço para a dispersão dos votos locais, justamente no momento em que Parauapebas poderia eleger representantes com compromisso com a cidade.

Darci Lermen: compromisso com candidatos do município

Na contramão, o ex-prefeito Darci Lermen optou pelo compromisso com candidatos de Parauapebas. Ele pede voto para Junior do Macre (deputado estadual) e Keniston Braga (deputado federal), ambos com folha de trabalho construída no município. Keniston Braga é deputado federal e disputa a reeleição; Junior do Macre vive sua primeira campanha eleitoral.

Vereadores: forasteiros em primeiro lugar, sem esquecer da família


Veja os forasteiros de cada vereador e os parentes

Vereador(a)

Cargo na Câmara

Deputado Estadual

Deputado Federal

Perfil do apoio

1

Anderson Moratório

Presidente da Câmara

Eugênio Gadelha

Dr. Felipe

Forasteiro pra estadual

2

Michel Carteiro

Vice-presidente

Ana Cunha

Joaquim Passarinho

Forasteiros

3

Erica Ribeiro

Vereadora

Rafael Ribeiro (marido)

Renilce Nicodemos

Parente + forasteira

4

Graciele Brito

Vereadora

Chamonzinho

Dr. Marcos Vinícius

Forasteiro pra estadual

5

Zé da Lata

Vereador

Wescley Tomaz

Joaquim Passarinho

Forasteiros

6

Leo Marcio

Vereador

Chamonzinho

Jader Filho

Forasteiros

7

Maquivalda

Vereadora

Eugênio Gadelha

Braz (marido)

Forasteiro + parente

8

Zé do Bode

Vereador

Chamonzinho

Andréia Siqueira

Forasteiros

9

Francisco Eloécio

Vereador

Chamonzinho

Renilce Nicodemos

Forasteiros

10

Tito do MST

Vereador

Pablo do MST

Dilvanda Faro

Forasteiro pra federal

11

Alex Ohana

Vereador

Chamonzinho

Andréia Siqueira

Forasteiros

12

Elias da Construforte

Vereador

Chamonzinho

Andréia Siqueira

Forasteiros

13

Fred Sanção

Vereador

Chamonzinho

Andréia Siqueira

Forasteiros

14

Laécio da ACT

Vereador

Cilene Couto

Adriano Coelho

Forasteiros

15

Leandro Chiquito

Vereador

Chamonzinho

Andréia Siqueira

Forasteiros