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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Prefeito Aurélio e 15 vereadores apoiam forasteiros ou parentes; ex-prefeito Darci Lermen quer votos em candidatos de Parauapebas



Quarto maior colégio eleitoral do Pará, município vê fragmentação dos votos locais enquanto a Câmara Municipal se divide entre candidatos de fora e familiares; ex-prefeito é a exceção e aposta na cidade de Parauapebas

Parauapebas, o quarto maior colégio eleitoral do Pará, vive um paradoxo nas eleições de 2026: enquanto o prefeito Aurélio Goiano e a maioria dos vereadores da Câmara Municipal abraçaram candidaturas de forasteiros ou parentes, o ex-prefeito Darci Lermen aposta em nomes com trajetória construída no município. O comportamento do grupo que hoje comanda a cidade gera questionamentos na população local e abre espaço para uma grande fragmentação dos votos parauapebenses no cenário estadual e nacional.

Aurélio Goiano: apoio tóxico a candidato de fora

Com rejeição nas alturas, o prefeito Aurélio Goiano abandonou a possibilidade de defender um nome de Parauapebas para deputado federal. Em vez disso, abraçou a candidatura do forasteiro Joaquim Passarinho (PL), o escrachado pedido de voto foi publicado na mesma rede social em que faz propaganda das ações do governo municipal, que, segundo críticos, tem pouco a mostrar.

O comportamento, apontado como "apoio tóxico", enfraquece politicamente o município e abre espaço para a dispersão dos votos locais, justamente no momento em que Parauapebas poderia eleger representantes com compromisso com a cidade.

Darci Lermen: compromisso com candidatos do município

Na contramão, o ex-prefeito Darci Lermen optou pelo compromisso com candidatos de Parauapebas. Ele pede voto para Junior do Macre (deputado estadual) e Keniston Braga (deputado federal), ambos com folha de trabalho construída no município. Keniston Braga é deputado federal e disputa a reeleição; Junior do Macre vive sua primeira campanha eleitoral.

Vereadores: forasteiros em primeiro lugar, sem esquecer da família


Veja os forasteiros de cada vereador e os parentes

Vereador(a)

Cargo na Câmara

Deputado Estadual

Deputado Federal

Perfil do apoio

1

Anderson Moratório

Presidente da Câmara

Eugênio Gadelha

Dr. Felipe

Forasteiro pra estadual

2

Michel Carteiro

Vice-presidente

Ana Cunha

Joaquim Passarinho

Forasteiros

3

Erica Ribeiro

Vereadora

Rafael Ribeiro (marido)

Renilce Nicodemos

Parente + forasteira

4

Graciele Brito

Vereadora

Chamonzinho

Dr. Marcos Vinícius

Forasteiro pra estadual

5

Zé da Lata

Vereador

Wescley Tomaz

Joaquim Passarinho

Forasteiros

6

Leo Marcio

Vereador

Chamonzinho

Jader Filho

Forasteiros

7

Maquivalda

Vereadora

Eugênio Gadelha

Braz (marido)

Forasteiro + parente

8

Zé do Bode

Vereador

Chamonzinho

Andréia Siqueira

Forasteiros

9

Francisco Eloécio

Vereador

Chamonzinho

Renilce Nicodemos

Forasteiros

10

Tito do MST

Vereador

Pablo do MST

Dilvanda Faro

Forasteiro pra federal

11

Alex Ohana

Vereador

Chamonzinho

Andréia Siqueira

Forasteiros

12

Elias da Construforte

Vereador

Chamonzinho

Andréia Siqueira

Forasteiros

13

Fred Sanção

Vereador

Chamonzinho

Andréia Siqueira

Forasteiros

14

Laécio da ACT

Vereador

Cilene Couto

Adriano Coelho

Forasteiros

15

Leandro Chiquito

Vereador

Chamonzinho

Andréia Siqueira

Forasteiros


terça-feira, 15 de setembro de 2026

Fux, Mendonça e Kássio Nunes: enrolados com Vorcaro, tentaram intervir na PF

Mensagens de Vorcaro expõem rede de contatos no entorno de três ministros do STF

Celular apreendido pela Polícia Federal revela conversas do ex-dono do Banco Master com filhos e advogados ligados a Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e André Mendonça — sobre pagamentos, viagens, convites e decisões judiciais.

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, revelam uma rede de contatos do banqueiro com pessoas próximas a três ministros do Supremo Tribunal Federal: Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e André Mendonça. Os registros incluem menções a pagamentos, viagens, convites, reuniões e tentativas de aproximação profissional — embora os trechos fragmentados não comprovem, por si sós, que filhos de ministros tenham recebido valores ou que os magistrados tenham interferido em decisões.

A seguir, o SOL DO CARAJÁS detalha os três eixos revelados pelas novas mensagens.

Filho de Nunes Marques em planilha de pagamentos de R$ 500 mil mensais

O ponto mais sensível envolve Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. Segundo as mensagens, o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, perguntou a Vorcaro, em julho de 2025, se um pagamento de R$ 500 mil mensais a Kevin "mantém".

Em outubro de 2024, Rennó já havia enviado ao banqueiro uma planilha contendo o nome e o telefone de Kevin Marques, acompanhado da expressão "Dominado aqui". Em julho de 2025, voltou a encaminhar a mesma informação. Em agosto, afirmou que, entre os "pagamentos essenciais", estaria faltando a "consult" — aparente referência à Consult Inteligência Tributária.

Segundo dados citados na reportagem do Uol, a Consult teria recebido R$ 6,6 milhões do Banco Master entre agosto de 2024 e julho de 2025. O Coaf teria considerado as transações incompatíveis com a capacidade financeira declarada da empresa, cujo faturamento informado era de R$ 25,5 mil.

Kevin Marques nega ter prestado serviços ao Banco Master ou recebido dinheiro de Vorcaro. Ele, porém, confirma ter recebido R$ 281,6 mil da Consult por serviços tributários especializados, segundo ele sem qualquer relação com o STF. O ministro Nunes Marques afirmou que nunca votou a favor do Banco Master e que seu filho nunca recebeu dinheiro do banqueiro.

Viagem a ser custeada

Em outro episódio, de dezembro de 2024, um agente de viagens procurou Vorcaro afirmando ter recebido um pedido para organizar uma viagem de aproximadamente dez dias, para cinco pessoas, entre 8 e 18 de janeiro, com guias e motoristas que falassem português ou espanhol. O agente perguntou se deveria cobrar o próprio ministro ou "jogar" a conta para o banqueiro.

Vorcaro: "Sim. Atende. Tudo."

A mensagem de "Rayanna"

O material apreendido também traz mensagens de uma mulher identificada como "Rayanna", afirmando que uma "amiga" teria tido um encontro com Nunes Marques e estaria cobrando um pagamento:

"Ela disse que ficou com o kassio"

"Ela tá me cobrando aqui"

O episódio não estabelece, por si só, a natureza ou a efetivação de eventual pagamento.

Filho de Fux manteve contato com Vorcaro por mais de um ano

As mensagens mostram uma relação prolongada entre Vorcaro e Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux. Os contatos começaram em maio de 2024 e se estenderam até agosto de 2025, em período delicado para o Banco Master — em novembro de 2024, o banco começava a enfrentar dificuldades para rolar integralmente seus vencimentos de captação.

Naquele mesmo mês, Vorcaro procurou Rodrigo:

Vorcaro: "Quero te chamar para me ajudar num caso."

Rodrigo respondeu que teria prazer em ajudar. Os dois fizeram uma videochamada no dia seguinte e Vorcaro encaminhou um documento para análise. As mensagens não esclarecem qual era o caso nem o conteúdo do documento.

Em dezembro de 2024, ao tentarem marcar novo encontro, Rodrigo adaptou sua agenda ao horário do banqueiro e escreveu:

Rodrigo Fux: "Tapete vermelho, irmão." Vorcaro: "Valeu, irmão!"

Em fevereiro de 2025, Vorcaro ofereceu convites para um camarote no Carnaval do Rio ao filho de Fux e seus familiares:

"Pode chamar o filho e a sogra também! Amigos, quantos quiser."

Orientação para procurar a secretária do ministro

Um dos episódios mais relevantes ocorre em 12 de março de 2025, quando Rodrigo Fux orientou Vorcaro a enviar um e-mail para a secretária de Luiz Fux no STF, com cópia para ele. O conteúdo que seria tratado não aparece nas mensagens apreendidas. Naquele mesmo dia, Rodrigo enviou duas vezes emojis de um soco, aparentemente sinalizando uma conquista.

Em junho de 2025, no dia em que o Cade aprovou a compra de 58% do Banco Master pelo BRB, Rodrigo parabenizou Vorcaro — que não respondeu.

A assessoria de Rodrigo afirma que houve uma tentativa de aproximação comercial, mas que a relação profissional nunca se concretizou. Ele nega ter advogado para Vorcaro ou para o Banco Master, afirma que nunca recebeu valores do banqueiro e que jamais foi contratado para atuar em processos no STF.

Mendonça e a reunião secreta com Vorcaro

As mensagens também aprofundam a relação entre Vorcaro e pessoas próximas do ministro André Mendonça, relator do caso Master. O advogado Ciro Soares, que fez campanha pela indicação de Mendonça ao STF, aparece como intermediário entre o banqueiro e o ministro.

Em março de 2025, Cezinha de Madureira marcou uma reunião entre Vorcaro e Mendonça no escritório do Instituto Iter, ligado ao ministro. A reunião ocorreu fora da agenda oficial. O gabinete de Mendonça confirmou o encontro e afirmou que o ministro recebeu Vorcaro por iniciativa do empresário e que "se limitou a ouvi-lo". O gabinete também confirmou que, naquele mês, recebeu o advogado de Vorcaro e manteve nos registros os memoriais apresentados.

O convite retirado

Em 23 de maio de 2025, Ciro Soares convidou Vorcaro para um evento do Instituto Iter, em Belo Horizonte, marcado para 2 de junho. Três dias depois, porém, voltou atrás — a razão aparece em mensagem na qual Cezinha de Madureira pede que Vorcaro não comparecesse. Ciro escreveu que estava irritado com o deputado:

Ciro Soares: "Cezinha é foda. Tô puto com ele."

Em outro conjunto de mensagens, Ciro Soares comemorou com Vorcaro uma decisão de André Mendonça favorável ao então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.

O contexto do vazamento

O vazamento das novas mensagens ocorreu horas antes de o STF analisar se deve investigar a relação do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro, a pedido de André Mendonça e com base em relatório da PF que aponta 187 interações entre Moraes e Vorcaro.

Os novos diálogos revelam que o banqueiro tinha relações com o entorno de pelo menos outros três ministros — Nunes Marques, Fux e o próprio Mendonça —, envolvendo filhos, advogados próximos a magistrados, intermediários políticos e eventos ligados a ministros.

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Nota Editorial: Os trechos fragmentados evidenciam o envolvimento do banqueiro com o círculo pessoal e profissional dos ministros, mas não são suficientes, por si sós, para comprovar que filhos de ministros tenham recebido pagamentos ou que magistrados tenham interferido em decisões a favor de Vorcaro ou do Banco Master. Todos os citados negam irregularidades. O SOL DO CARAJÁS acompanhará os desdobramentos do caso.

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Fonte: Jornal GGN — reportagem de Patricia Faermann (15/09/2026), com dados do Uol (leia aqui).

Pesquisa CNT/MDA na reta final: Lula lidera com 40,6% e abre 7,3 pontos sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno


Instituto que cravou resultado de 2022 mostra Lula liderando com folga no 2° turno de 2026

O instituto que mais se aproximou do resultado das urnas em 2022 mostra uma corrida mais apertada, mas com o petista à frente em todos os cenários simulados, a menos de três semanas do primeiro turno. A pesquisa MDA/CNT, embora indique uma diminuição da vantagem do presidente Lula sobre o candidato Flávio Bolsonaro, apresenta números que contrariam os resultados das pesquisas contratadas pela Rede Globo (Quaest) e por bancos da Faria Lima (Nexus e Atlas).

A terceira rodada de 2026 da Pesquisa CNT de Opinião, realizada em parceria com o Instituto MDA Pesquisa e divulgada nesta terça-feira (15), mostra o cenário eleitoral na reta final da campanha. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue à frente na disputa presidencial, mas com vantagem reduzida tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Na estimulada de primeiro turno, Lula registra 40,6% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 30,4%. A diferença entre os dois caiu de 13,7 pontos (agosto) para 10,2 pontos na reta final.

Vence com folga no segundo turno

Em eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o petista soma 47,3% contra 40% do adversário — uma diferença de 7,3 pontos percentuais, menor que os 9 pontos registrados na rodada de agosto.




Credibilidade do instituto

O resultado ganha relevância pelo histórico do MDA/CNT: no levantamento divulgado no sábado anterior ao segundo turno de 2022, o instituto atribuiu 51,1% a Lula e 48,9% a Bolsonaro. O petista venceu com 50,9% dos votos válidos, contra 49,1% do adversário, na menor diferença da disputa presidencial desde a redemocratização. O MDA/CNT foi o instituto que mais próximo andou de cravar o resultado das urnas.

Dados da Pesquisa

A 170ª rodada foi realizada pelo Instituto MDA Pesquisa entre 9 e 13 de setembro de 2026, com 2.002 entrevistas em todas as regiões do país. A coleta foi feita de forma presencial, em domicílios e pontos de fluxo. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-06902/2026.

domingo, 6 de setembro de 2026

Parauapebas na disputa pela Alepa: conheça os principais candidatos com domicílio eleitoral local que buscam uma das 41 vagas


Eleitorado em alta, mas fragmentação atrapalha

Com eleitorado em alta, 200.937 aptos em 2026, a “Capital do Minério” tenta ampliar sua força na Assembleia Legislativa do Pará, sendo que a saída do deputado Braz abriu espaço para novos nomes.

Parauapebas, um dos maiores colégios eleitorais do sudeste paraense, entra nas eleições de 2026 com vários candidatos a deputado estadual com domicílio eleitoral no município disputando uma das 41 vagas da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). O cenário ganha contornos estratégicos: o eleitorado local saltou de 182.543 em 2022 para 200.937 aptos em 2026, um crescimento de mais de 10% em quatro anos.

A disputa também é marcada pela saída do atual deputado estadual Braz, único representante com domicílio eleitoral em Parauapebas na Alepa, que decidiu migrar para a disputa de uma vaga na Câmara Federal. Com isso, a cidade busca manter e talvez até ampliar sua voz no parlamento estadual.

Os principais nomes locais na disputa estadual

Rafael Ribeiro (PSD) chega ao pleito como o nome de maior capital político entre os postulantes locais. O ex-candidato a prefeito carrega um “recall” expressivo de 44.862 votos obtidos na última eleição municipal, quando ficou em segundo lugar na disputa pela Prefeitura de Parauapebas.

Hipólito Gomes (PL) mantém a insistência na carreira legislativa. Na última eleição, obteve 3.122 votos para vereador em Parauapebas, uma votação expressiva, mas insuficiente para conquistar a vaga na Câmara Municipal. Agora, tenta novamente chegar à Alepa.

Junior do Macre (Republicanos) é candidato pela primeira vez e conta com um trunfo político relevante: o apoio do ex-prefeito Darci Lermen, uma das lideranças mais influentes da história política recente do município.

Cilmara Bonfim (Avante) também apresenta seu nome. Na última eleição para o legislativo local obteve 1570 votos, não conseguindo a vaga, e busca agora ampliar sua base eleitoral na disputa estadual.

Pablo do MST (PT) apresenta seu nome pela primeira vez em um pleito, representando a pauta do movimento social e a base petista local.

O cenário eleitoral

O Pará tem 6.265.355 eleitores aptos em 2026, contra 6.082.312 em 2022, um crescimento de cerca de 183 mil eleitores no estado. Em Parauapebas, o avanço foi de 18.394 novos eleitores no mesmo período.

O desafio dos candidatos locais é converter o crescimento do eleitorado em votos efetivos para a Alepa, sendo a fragmentação dos votos em Parauapebas, tradicionalmente divididos entre múltiplas candidaturas, um empecilho para garantir que a cidade mantenha representação na capital paraense.

Com a saída do deputado Braz para a disputa federal, a eleição de 2026 representa uma janela de oportunidade para os nomes locais que tentam manter Parauapebas com representação própria na Assembleia Legislativa, em um pleito que combina nomes com histórico consolidado, estreantes com apoio de lideranças locais e novas forças políticas.
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* A matéria destaca os principais nomes, mas existem outras candidaturas com domicílio eleitoral em Parauapebas - consulte o TSE - AQUI

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Citado em queixa-crime, o prefeito de Parauapebas não se manifesta e a Defensoria Pública é acionada

Aurélio Goiano ao lado de Michel Temer e do advogado Dr. João Brasil

Prefeito ficou sem a ‘ajuda’ dos advogados

O prefeito de Parauapebas, Aurélio Ramos de Oliveira Neto (Aurélio Goiano), foi formalmente notificado para apresentar defesa em uma queixa-crime que tramita na Seção de Direito Penal do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), mas permaneceu inerte nos autos. Diante da ausência de manifestação, a Defensoria Pública do Estado foi nomeada para assumir sua defesa técnica e agora requer o pagamento de honorários advocatícios, com base na capacidade financeira do político.

A informação consta na resposta preliminar da 2ª Defensoria Pública Criminal de Segunda Instância, assinada pela defensora Alira Cristina de Menezes Pereira, nos autos do processo nº 0801534-08.2025.8.14.0000. O documento aponta a contradição entre o cargo ocupado pelo gestor e a necessidade de intervenção de um órgão destinado à defesa de hipossuficientes.

Situação contraditória

A situação se mostra contraditória diante da vida pública do polêmico político. Em 15 de junho de 2026, ele publicou em seu perfil oficial no Instagram registros de audiência em São Paulo com o ex-presidente Michel Temer, ao lado do advogado Dr. João Brasil e do ex-ministro Carlos Marun. Além disso, no próprio vídeo no qual xingou a sua vítima, ele afirma que, agora como prefeito, teria “muitos advogados para ajudar”, mas, nos autos, não apresentou defesa própria, resultando na nomeação da Defensoria.

Dr. João Brasil é advogado particular do polêmico político e prefeito de Parauapebas/PA, mas não assumiu a sua defesa na queixa-crime.

Entenda o caso

A ação penal privada foi movida por Wanterlor Bandeira Nunes, ex-chefe de Gabinete e ex-diretor do SAAEP, que acusa o prefeito pelos crimes de calúnia, difamação e injúria (artigos 138, 139 e 140 do Código Penal). A acusação deriva de um vídeo publicado no Instagram, em que o prefeito chama Wanterlor de “vagabundo” e cita supostas “falcatruas” em contrato administrativo da gestão municipal.

O que diz a Defensoria Pública

A Defensoria Pública registrou que foi nomeada para atuar na defesa do prefeito querelado exclusivamente por conta de sua inércia após a notificação judicial, com o objetivo de garantir o contraditório e a ampla defesa, evitando nulidade processual, já que o réu não constituiu advogado particular no prazo legal.

A Defensoria sustenta que a nomeação compulsória não implica reconhecimento de hipossuficiência do prefeito, destacando que ele ocupa cargo público com remuneração expressiva, incompatível com a presunção de pobreza. Por isso, requer a fixação de honorários advocatícios em favor da Defensoria, a serem pagos integralmente, com os valores revertidos ao Fundo Estadual da Defensoria Pública (FUNDEP).

O TJPA ainda não deliberou

Ainda não foi deliberado sobre o recebimento ou rejeição da queixa-crime. O processo tramita publicamente e pode ser consultado no sistema do TJPA.

O prefeito não foi localizado

O prefeito não foi localizado pela reportagem para esclarecer os motivos de não ter constituído defesa particular, e não se manifestou até o fechamento da edição. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos de sua assessoria jurídica.

VEJA O VÍDEO ABAIXO  CLICANDO AQUI

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

FALHAS GRAVES NO INQUÉRITO SOBRE CASO DO EMPRESÁRIO E O ESTUPRO DE UMA ADOLESCENTE EM PARAUAPEBAS



Estupro de menor por empresário: inquérito policial é marcado por falhas graves

O estupro de uma adolescente de 16 anos, cometido pelo próprio padrasto — um conhecido empresário de Parauapebas/PA, com fortes ligações políticas —, segue em tramitação na Justiça Criminal. A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público do Pará e assinada por todos os promotores que atuam na comarca, o que evidencia a gravidade do caso e a preocupação com as lacunas deixadas na investigação conduzida pela Polícia Civil.

O inquérito, mantido em uma delegacia não especializada, apresenta inconsistências e falhas procedimentais que podem comprometer a robustez probatória e exigem correção imediata.

Delegado optou por não realizar o flagrante

Embora os fatos tenham ocorrido na madrugada de 29 de junho de 2026 e a vítima tenha prestado depoimento no mesmo dia, a autoridade policial optou por instaurar o inquérito por portaria apenas no dia seguinte. O comparecimento imediato da vítima, com identificação clara do agressor, exigiria a lavratura do auto de prisão em flagrante, procedimento padrão em crimes de violência sexual.

Perícia na cena do crime não foi requisitada

O delegado, estranhamente, deixou de requerer a perícia no local do crime, algo elementar, uma falha que além de gravíssima revela uma extremada negligência da autoridade, o procedimento básico de coleta e análise dos lençóis da cama onde a adolescente foi abusada não foi efetuado, a medida é essencial para isolamento de vestígios biológicos e realização de exame de DNA.

Falha na preservação das imagens

Apesar de ciente dos horários cruciais indicados pela vítima e testemunhas, a autoridade policial não os documentou no inquérito, inviabilizando a reconstituição fidedigna dos fatos por meio das câmeras de segurança do condomínio. A perícia técnica no pen drive contendo as filmagens do Condomínio Mirante da Serra também não foi solicitada, comprometendo a cadeia de custódia e a verificação de eventual edição ou supressão das imagens.

Arma de fogo: omissão que coloca vidas em risco

A vítima relatou que o agressor estava armado e proferiu ameaças contra ela e seus familiares. Apesar da gravidade, o delegado não determinou qualquer diligência para localizar e apreender a arma, expondo todos os envolvidos a risco iminente.

'Médica ad hoc' não identificada

O primeiro atendimento hospitalar foi realizado por uma suposta 'médica ad hoc' que absurdamente não assinou o documento nem foi devidamente qualificada, o que levanta dúvidas sobre a validade do ato. 

Em Parauapebas, informações apontam que a suposta 'médica ah doc' seria filha de um sócio do empresário agressor.

Exame realizado com atraso

O exame sexológico, indispensável e de natureza perecível, foi realizado com dois dias de atraso. Embora o laudo tenha confirmado vestígios de conjunção carnal, a demora comprometeu a integridade da prova técnica.

Denúncia oferecida, mas novas diligências são urgentes

Apesar das falhas graves no estranho inquérito policial, o Ministério Público reuniu elementos para denunciar o empresário por estupro majorado (crime hediondo), com pena-base de 6 a 10 anos, podendo ser acrescida em até 5 anos.

O MPPA deve requerer novas diligências, como a coleta de material genético para extração de perfil de DNA.

Novo depoimento em ambiente acolhedor 

O 'Termo de Oitiva da Adolescente' que consta no inquérito policial se mostra flgrantemente ilegal e imprestável, pois conduzido com exposição desnecessária da vítima, por esse motivo, segundo informação, o MP requereu um novo depoimento da adolescente com a máxima urgência, conforme prevê a Lei, visando evitar a revitimização e garantir que sua fala seja ouvida por especialistas em ambiente acolhedor. 

Prisão preventiva e proteção às testemunhas

É urgente a decretação da prisão preventiva do agressor, diante das ameaças e da omissão policial, o Ministério Público também deve avaliar a inclusão da vítima e testemunhas no PROVITA (Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas), pois há relatos de que uma testemunha já mudou de endereço e foi coagida a alterar o depoimento.

O Ministério Público pode investigar as estranhas falhas no inquérito

As falhas apontadas no inquérito policial — ausência de flagrante, falta de perícias, negligência com provas audiovisuais e com a arma de fogo, atraso no exame sexológico e atendimento médico irregular — não são meros erros burocráticos e assombram Parauapebas, representam vulnerabilidades que colocam em risco a credibilidade da investigação e principalmente a segurança da vítima e das testemunhas.

O Ministério Público do Pará deve instaurar procedimento para apurar a conduta da autoridade policial e sanar as irregularidades, sob pena de comprometimento definitivo da justiça no caso.


CANAIS DE DENÚNCIA E PROTEÇÃO

Disque 100: Direitos Humanos (Violência contra crianças e adolescentes)

Conselho Tutelar de Parauapebas: Atendimento de urgência e medidas protetivas

DEAM: Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher

MPPA: Ministério Público do Estado do Pará

NOTA EDITORIAL: É dever e compromisso preservar integralmente a identidade da vítima em todas as etapas de cobertura, em estrita observância à Lei 13.431/2017. Qualquer identificação por iniciais visa exclusivamente proteger a adolescente de revitimização. Seguiremos acompanhando o desdobramento processual dos autos que tramitam em segredo de justiça.