CORONAVÍRUS - FIOCRUZ

CORONAVÍRUS - FIOCRUZ
TIRES SUAS DÚVIDAS SOBRE A PANDEMIA

terça-feira, 20 de outubro de 2026

A CONDUTA DE FLÁVIO BOLSONARO NO CASO ANA CLARA: A MENINA DE 5 ANOS ASSASSINADA COM UM TIRO DE FUZIL

Cinco anos e sete meses após a morte de Ana Clara Gomes Machado, o policial militar acusado de disparar o fuzil segue em liberdade e o júri popular nunca aconteceu. O senador e candidato à Presidência integrou a defesa do réu em 2024 e tentou reverter a decisão que o levaria a julgamento.

Assassinada com tiro de fuzil

A morte de Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, voltou ao centro do debate presidencial brasileiro. A menina foi atingida por um tiro de fuzil na manhã de 2 de fevereiro de 2021, quando brincava na porta de casa na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Mais de cinco anos e sete meses depois, o policial militar acusado pelo disparo segue em liberdade e o julgamento pelo Tribunal do Júri nunca ocorreu. O caso ganhou nova repercussão após o debate presidencial da Band, realizado no domingo (18), e a circulação do documentário "O Julgamento que Nunca Aconteceu", da série "Revelando", apresentado por Camila Pitanga.

O fato

Ana Clara tinha acabado de acordar. Brincava na porta de casa com o irmão mais novo quando foi atingida por disparos de fuzil. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o disparo fatal partiu da arma do cabo Bruno Dias Delaroli, integrante do 12º Batalhão da Polícia Militar. O agente foi denunciado por homicídio doloso — quando há intenção de matar ou se assume o risco de provocar a morte.

Delaroli foi preso em flagrante, mas passou a responder ao processo em liberdade a partir de novembro de 2021. Desde então, aguarda julgamento em liberdade.

A perícia que derruba a tese de confronto

A defesa do policial sustenta que houve confronto: Delaroli teria sido recebido por cinco homens, dois deles armados com pistolas. A perícia da Polícia Civil, porém, chegou ao local pouco depois do crime, com a PM ainda presente, e encontrou apenas munição de calibre 7,62 mm — o mesmo calibre do fuzil do policial. Nenhuma munição de pistola foi localizada.

Um morador que presenciou a cena relatou que os policiais só socorreram Ana Clara, que sangrava no chão, após muita insistência, e que tentaram alterar a cena do crime. A perícia da arma confirmou que o projétil que atingiu a menina partiu do fuzil de Delaroli.

A entrada de Flávio Bolsonaro no processo

Em 2024, o então deputado e hoje senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, passou a integrar a equipe de defesa de Delaroli. O momento é preciso: a defesa havia acabado de perder no Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma tentativa de anular a decisão que mandava o policial a júri popular.

Foi depois dessa derrota que Flávio apareceu no processo, assinando de próprio punho um novo recurso para reverter a determinação. A equipe jurídica apresentou outras medidas, mas o STJ negou o pedido e a decisão de submeter Delaroli ao júri foi mantida. Segundo reportagem do jornal Bem Paraná, o processo transitou em julgado em agosto de 2025 e não cabe mais recurso contra a ida do PM a júri.

A atuação se deu no exercício da advocacia. A Constituição Federal assegura a qualquer pessoa acusada de um crime o direito à ampla defesa, incluindo a possibilidade de contestar decisões e apresentar recursos à Justiça. Não há, até aqui, decisão judicial que impute irregularidade à conduta do senador nesse caso.

O júri que nunca aconteceu

Mais de cinco anos após a morte de Ana Clara, o julgamento ainda não havia ocorrido até outubro de 2026. A previsão atual, segundo a família, é 5 de maio de 2027. O caso já teve o júri adiado duas vezes.

O documentário revelando a verdade

O episódio "O Julgamento que Nunca Aconteceu", da série "Revelando", vai além do caso Ana Clara e constrói uma tese: a de que julgamentos de policiais no Rio não travam por lentidão, mas por ação deliberada de gente com poder:

  • Adriano da Nóbrega: Flávio teria entregado a maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio (Medalha Tiradentes) ao tenente do Bope enquanto ele estava preso, acusado de homicídio. A mulher de Adriano teria passado 11 anos empregada no gabinete de Flávio, e a mãe, dois anos e meio — saíram um mês após a eleição dele ao Senado.
  • Patrícia Acioli: após o assassinato da juíza (21 tiros, agosto de 2011), Flávio teria escrito que a forma como ela "humilhava policiais" contribuiu para ela ter inimigos.
  • Marielle Franco: o documentário afirma que Robson Calixto, o "Peixe" — apontado como quem apresentou os executores aos mandantes — pediu ajuda a uma secretária parlamentar e que, no mês seguinte, saiu uma emenda de quase R$ 200 mil para um projeto de futebol infantil na Taquara, com recursos posteriormente apontados como desviados.
  • Outras defesas: Flávio assinaria ainda a defesa de dois acusados no esquema do "Faraó dos Bitcoins" e de outros policiais acusados de homicídio.
  • Dado estrutural: entre 2007 e 2022, o Rio teria registrado 629 chacinas cometidas por policiais — e apenas duas viraram denúncia. Das 27 maiores (oito mortos ou mais), nenhuma chegou ao fim do julgamento.

A voz da mãe

O trecho mais forte do documentário é o depoimento da mãe de Ana Clara, que teve a filha aos 15 anos:

"Ela que me ensinou a ter maturidade, ela que me ensinou a ser mãe, ela me ensinou a trocar fralda, ela me ensinou tudo. Ela foi a luz da minha vida."

Sobre o julgamento:

"Foi adiado duas vezes esse ano. Me falaram que vai ser só dia 5 de maio de 2027."

Sobre a defesa:

"É surreal acreditar como uma pessoa querendo ser presidente do Brasil defende um cara sem escrúpulo nenhum. Ele tentou anular o júri do cara que matou minha filha."

Sobre o medo:

"Do Flávio vir como presidente e a justiça pela vida da minha filha não ser feita. Ele sem ser presidente já está fazendo o que está fazendo."

O contexto político

O caso foi mencionado por Lula durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band no domingo (18). O presidente cobrou explicações do adversário sobre a defesa do policial, em meio a uma troca de acusações sobre segurança pública. Flávio defendeu a advocacia como atividade legítima.

Na manhã de segunda-feira (19), o termo "flavio bolsonaro caso ana clara" liderou os assuntos mais pesquisados do Brasil no Google Trends, com mais de 1 milhão de buscas em 24 horas.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Flávio/Trump ameaçam a economia paraense e podem devastar a prosperidade dos municípios mineradores: Canaã, Marabá e Parauapebas



Parauapebas tenta um triplo suicídio

Com o resultado eleitoral do primeiro turno, a impressão é que o município de Parauapebas/PA tentou um triplo suicídio: político, econômico e moral.

O suicídio político

Entre os presidenciáveis, o pior candidato para o município de Parauapebas, Flávio Bolsonaro, submisso ao Trump, presidente dos Estados Unidos, foi justamente o que obteve a maior votação, foram 89.244 votos ou 58,95% dos votos válidos. 

A cidade além de perder dois deputados, um federal e um estadual, insiste na tentativa de suicídio político iniciada em 2024, nas eleições municipais, aumentando a dose do veneno, é o que mostra a votação dos deputados no município, os ganhadores são todos alinhados ao projeto de submissão do Brasil ao Trump, além da evidente desqualificação dos nomes que lideraram a disputa ao parlamento é triste constatar que não tinham qualquer chance de eleição, buscavam apenas atrapalhar e fazer a cidade perder a sua representação na Alepa e na Congresso Nacional.

O suicídio econômico: o que Trump já fez ao Brasil 

Trump, em conluio com Flávio e Eduardo Bolsonaro, já tinha imposto uma sobretaxa de 50%, em meados de 2025, derrubando as exportações para os EUA por 9 meses consecutivos, queda de 11,3% só em abril/2026, compensadas pela negociação do atual governo Lula com  a China, aumentando as exportaçoes em 32,5% no mesmo mês para o tigre asiático.

Em julho/2026, Trump, novamente em conluio com os Bolsonaros, impôs uma tarifa adicional de 25%, atingindo 19% das exportações para os EUA.

Em agosto/2026, os EUA acusaram o Brasil de ajudar a China a driblar tarifas e colocaram o país em lista de alto risco comercial. Nove países latino-americanos receberam a mesma acusação.

A "Doutrina Donroe" de Trump, que os Bolsonaros apoiam, declara proeminência americana na América Latina, com objetivo explícito de afastar a China de ativos estratégicos, recursos naturais e infraestrutura da região, exatamente o mecanismo que pode devastar a economia de Parauapebas e do Pará. Não existe mercado americano que absorva o minério de Carajás. A China, por outro lado, tem alternativas de fornecimento (Austrália para ferro), o que dá a Pequim poder de retaliação seletiva, como já fez com carnes brasileiras e com produtos australianos em 2020-2022.

Flávio traduz um cenário de alinhamento e riscos ao Brasil

O chinês é conhecido pela sua paciência, mas não custa lembrar que 'paciência tem limites'.

Uma China que perceba o Brasil como parte do bloco americano, certamente buscará diversificar seus fornecedores e gradualmente diminuirá a participação brasileira no seu mercado, atingindo o fluxo de US$ 77 bi/ano na relações comerciais, o que implicará na perda do superávit recorde de US$ 25,51 bi. 

O impacto específico no Pará: o elo mais exposto e mais ameaçado por uma evetual eleição de Fávio Bolsonaro

Canaã dos Carajás, Marabá e Parauapebas exportam cerca de 98,5% para a China (US$ 6,8 bi só no 1º semestre). O minério de ferro de alto teor do S11D não tem mercado alternativo nos EUA, se a China reduzir compras em resposta a um alinhamento Brasil-EUA, não há substituto imediato para a venda desses produtos, a devastação econômica seria total. As receitas de royalties (CFEM) e a economia dos três municípios ficariam na linha de frente de qualquer retaliação.

O pior cenário

O cenário realista para um Brasil alinhado com TRUMP não é "negociar a retirada das tarifas", mas de submissão e subordinação a fundos de investimento sob controle americano e distanciamento da China, viriam restrições à participação chinesa em infraestrutura. Para o Brasil, a conta é pior: o que os EUA oferecem como mercado (9,61% das exportações, em queda, com déficit brasileiro) não compensa arriscar o fluxo chinês de US$ 77 bi (30,72%, em alta, com superávit de US$ 25,51 bi).

Ao Pará, a implicação é direta: Trump exigiria de um governo alinhado/submisso algo que precisamente a região menos pode dar, ou seja, o afastamento da China, comprometendo 98,5% das exportações de Canaã, Marabá e Parauapebas. 

Suicídio moral

A cidade destinou uma montanha de votos para um candidato envolvido com mafioso Vorcaro (aqui), a quem pediu R$ 134 milhões, um candidato sócio do Willer Tomaz, advogado e maior golpista do INSS, ambos são acusados de lavagem de dinheiro roubado dos aposentados (aqui).

Tem mais, o sujeito escolheu como vice um acusado de estupro contra uma menina de apenas 13 anos de idade, sendo salvo por uma decisão de arquivamento pelo STF (aqui).

Não bastasse, Flávio Bolsonaro é defensor de um PM que utilizou um fuzil pra assassinar uma criança de apenas 5 anos de idade, a Ana Clara (aqui). 

Inacreditável, o sujeito ainda é acusado algo inédito, juntamente com seu sócio, o bandido Willer Tomaz: tomar (roubar) uma ilha, em Angra dos Reis, de um famoso jogador de futebol da seleção brasileira (aqui).

REAGE, PARAUAPEBAS!