Em outras palavras: o presidente bate na tecla do direito e da lei. Mas não quando se trata dele e do seu clã. Nesses casos, fica raivoso. Curiosamente, agora o seu governo trabalha para tirar o poder do Ibama e esvaziar a proteção ambiental. (www.dw.com)
De longe, o Brasil parece um paraíso ambiental. O país divulga suas praias, seu mar, o Pantanal cheio de biodiversidade e a Floresta Amazônica, aparentemente infinita. Mas, na verdade, o Brasil está caminhando para transformar seu meio ambiente num inferno. Um inferno de soja, pastos, eucalipto, cana de açúcar e lama da indústria de mineração.
A destruição do meio ambiente brasileiro parece ser um dos principais projetos do novo governo. Ele está numa missão mefistofélica: quer acabar com os bons costumes. Com os direitos humanos. Com a ciência. Com os projetos de emancipação. Com o próprio pensamento esclarecido.
São pessoas que agem e falam com arrogância e crueldade. São pessoas que riem quando morre uma criança de sete anos. Que comemoram quando a polícia comete massacres em favelas, quando morrem ambientalistas ou vereadoras negras. Pessoas que não conhecem a diferença entre flertar e assediar. Pessoas com relações com milícias. Pessoas que falam toda hora em Deus mas mentem, xingam e difamam. Pessoas que gritam "zero corrupção!", mas que são corruptas.
Em nenhum aspecto, a Agenda do Negativo fica mais clara do que na relação com o meio ambiente e a saúde dos brasileiros.
Em alemão, um provérbio diz que "o peixe começa a feder pela cabeça". Já se sabe o que o presidente pensa sobre proteção ambiental desde 2012. Bolsonaro foi multado pelo Ibama enquanto pescava ilegalmente numa reserva natural. Ele violou a lei e prometeu pagar a multa - mas até hoje não o fez.
Em outras palavras: o presidente bate na tecla do direito e da lei. Mas não quando se trata dele e do seu clã. Nesses casos, fica raivoso. Curiosamente, agora o seu governo trabalha para tirar o poder do Ibama e esvaziar a proteção ambiental.
O novo ministro do Meio Ambiente é Ricardo Salles. Ele poderia ter sido originado na obra 1984, de George Orwell, na qual o "Ministério da Paz" é responsável pela organização da guerra. Porque, no Brasil, o ministro não tem interesse em proteger o meio ambiente, e sim em explorá-lo. É interessante notar que ele também e já foi condenado: por fraudar o processo do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, quando foi secretário estadual de São Paulo.
Salles anunciou que vai fazer o Ibama entrar na linha. Ele escolheu um novo presidente do instituto. E, como que por milagre, o Ibama anulou a multa contra Jair Bolsonaro.
Salles demitiu 21 superintendentes do Ibama. A justificativa: "Precisam ter um alinhamento conosco. É um cargo de confiança." Isso é a língua da máfia. A tarefa do Ibama é proteger o meio ambiente dos brasileiros, mas não a obediência ao senhor Salles e seus interesses.
Como que por coincidência, entre os superintendentes exonerados do Ibama, também está Julio Cesar Dutra Grillo. Ele havia alertado para o rompimento da barragem em Brumadinho.


































