O Gaeco foi na residência do prefeito de Parauapebas/PA
Na manhã desta terça-feira (15/06), o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do prefeito de Parauapebas. A operação, que ocorre sob sigilo, ganhou contornos inesperados com a presença de um policial militar que atuaria como 'segurança de fato' do prefeito, apesar de constar como nomeado em cargos comissionados na Secretaria Municipal de Segurança Institucional (Semsi), conforme registros oficiais.
Prefeito ausente, PM presente
A movimentação de viaturas descaracterizadas e agentes do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA - AQUI) surpreendeu a vizinhança nas primeiras horas do dia. O alvo principal era a residência oficial do chefe do Executivo municipal, onde foram apreendidos documentos e dispositivos eletrônicos.
No entanto, o prefeito não se encontrava no local. Informações colhidas pela reportagem indicam que o gestor cumpre agenda no Rio de Janeiro. Até o fechamento desta edição, o MPPA não havia emitido nota oficial detalhando o escopo da investigação ou se há outros alvos na administração pública.
Um PM roubou a cena, o sujeito ((veja aqui) foi avistado nos arredores da residência do prefeito e diz em vídeo que estava "acompanhando o Ministério Público' e 'apoiando a operação', apesar de se autoproclamar 'segurança de fato do prefeito'.
Arma do prefeito foi entregue ao PM
A operação deflagrada pelo GAECO em Parauapebas, tudo indica, resultou na apreensão de uma arma de fogo na residência do prefeito e tomou um rumo jurídico atípico após a entrega do armamento ao PM Freitas.
O fato central reside na exibição pública do item apreendido pelo militar, que exerce funções administrativas e de segurança pessoal simultâneas, levantando uma série de questionamentos.
Após a apreensão, o PM Freitas gravou e publicou um vídeo em frente à sede do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) exibindo a arma, o estojo e as munições. Na gravação, o militar afirma categoricamente que o armamento foi "devolvido após conferência". O episódio gera um vácuo jurídico: não há clareza sobre qual autoridade autorizou a entrega do objeto supostamente apreendido na casa do prefeito para um terceiro.
De bermuda e camiseta regata
O PM Freitas gravou vídeo na frente do prédio do Ministério Público do Pará, de bermuda e camiseta regata.
O PM Freitas encontra-se em uma situação funcional complexa. Tudo aponta que oficialmente ele foi cedido pelo governo do Estado para a "escolta institucional do prefeito", acontece que ele também foi nomeado em 14/04/2026 (conforme Diário Oficial) para o cargo comissionado de Coordenador de Operações, Tecnologia e Pesquisas da Semsi.
O próprio PM se declara "segurança de fato do prefeito" ao mesmo tempo que acumula um cargo administrativo de gestão, levantando questionamentos sobre a legalidade do vínculo funcional do agente com o erário municipal.
Ascom
A Ascom/PMP (veja - aqui) publicou matéria, em 25/05/2026, onde informa que o PM Freitas seria o coordenador do Centro de Controle Operacional (CCO), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Segurança Institucional (Semsi).
É de fato? É de direito?
O Diário Oficial do Município, na edição n° 1300 de 14/04/2026 (página 7 - aqui), registra a nomeação do PM Freitas para o cargo de coordenador do Centro de Controle Operacional (CCO), no mesmo Diário, também foi publlicada a sua exoneração do cargo de Chefe do Núcleo de Inteligência, ambos vinculados a Semsi.
Fica evidente, segundo a própria Ascom, o PM Freitas já desempenhava as atribuições de um cargo muito antes da sua exigida nomeação.
Também, pertinente questionar se nas atribuições dos referidos cargos tem a atividade de "segurança de fato" do prefeito de Parauapebas?
Questões pendentes de esclarecimentos
Para a manutenção da transparência pública, as seguintes perguntas exigem resposta das autoridades:
- Qual a base legal para a entrega imediata de arma apreendida em operação do GAECO?
- O PM Freitas foi formalmente nomeado depositário fiel pelo Poder Judiciário?
- A nomeação para cargo comissionado na Semsi é compatível com a função de escolta militar?
- Houve autorização judicial específica para que o armamento saísse da custódia do MPPA?
- Quem arca com os custos da segurança pessoal do prefeito: o Estado ou o Município via cargo comissionado?
- A exibição da arma em vídeo configura uso indevido de cargo para autopromoção ou intimidação?
____________________________
Redes sociais - vídeo do PM nos arredores da casa do prefeito
Nenhum comentário:
Postar um comentário