quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O Sol do Carajás publica duas análises de Rudá Ricci (aqui) sobre o cenário político nacional
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Previsões para 2014

Política não é matemática. Mas, como li outro dia, ser humano adora dar notícia.
Vou arriscar. Se nos pautarmos pelas eleições deste ano, 2014 será similar a 1989: todos partidos lançarão candidatos. Talvez, a exceção seja o PMDB, que não consegue se unificar nacionalmente.
No resto, Dilma disputará com Aécio, Eduardo Campos e mais uns 5 ou 6 candidatos. Marina se prepara, também, com novo partido a ser lançado em 2013.
Com 32 prefeituras a menos em SP e 13 em MG, Aécio não vive o que planejava um ano atrás. Tenta posar de vitorioso, mas poucos analistas acreditam no velho marketing aecista. Se Serra perder na capital paulista para Haddad, a sinalização para o PSB forçar independência em MG (com Lacerda) será quase irresistível.

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O dilema do PSDB

A UOL divulga, hoje, que FHC está descontente com a campanha de Serra, principalmente em função da caminhada para a direita, com alianças com fundamentalistas. Além de ser uma constante em todas campanhas recentes de Serra, há outro fator, além do próprio candidato, que empurra o PSDB para a direita: o eleitorado. Com a "peemedebização" do PT, que desloca se eleitorado para os mais pobres e menos instruídos, os candidatos tucanos criaram uma armadilha eleitoral: temem perder para o voto popular e se jogam na manutenção de uma porção anti-lulista. Enfim, se programaticamente petistas e tucanos não se diferem muito, a mundança do eleitorado petista (desde 2006) está impelindo a um certo desespero de parte das lideranças do PSDB que descambam para uma agenda moralista. Falta, neste caso, ousadia política.
Serra, além de sepultar todo seu passado político, ao insistir em candidaturas muito próximas, vai sendo empurrado cada vez mais para uma fatia do eleitorado que o percebe como um eterno anti-lulista, criando um círculo vicioso do ressentimento e rancor. Evidentemente que, desta maneira, parte do eleitorado tucano mais instruído migra (possivelmente a contragosto) para outros candidatos mais consistentes que não se alinham automaticamente com candidatos petistas.
Se o PSDB quer se manter no jogo, precisa cortar este movimento circular que mais parece uma tragédia anunciada.

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