domingo, 1 de abril de 2012

1° de abril


Há controvérsia. Mas a versão mais aceita é que o tal 1° de Abril nasceu de uma reação popular, no final do século XVI, ao calendário gregoriano, que iniciava o ano em 1° de janeiro. Antes, o calendário mais aceito na Europa era o juliano, que iniciava o ano em 20 de março (equinócio de primavera; equinócio significa o ponto em que o sol cruz a linha do equador) e as festas terminavam justamente no dia 1° de abril. A resistência popular foi se espalhando, anunciando casamentos inverídicos, outros adotaram o dia 25 de março (festa da Anunciação) como início do ano, outros o dia 1° de abril. Anúncios falsos pretensamente editados pelo reino também eram publicados neste período para ridicularizar as confusões de Gregório XIII. Alguns historiadores afirmam que os que mantinham o calendário juliano eram ridicularizados e recebiam presentes e convites falsos no 1° de abril.
No Brasil também tivemos nosso 1° de abril. Mas, pelas circunstâncias, não tivemos condições de brincar com esta data. Trata-se do golpe militar de 1964. Os militares ficaram preocupados com a data e recuaram em um dia no calendário. Mas a verdade é que o golpe foi no dia da mentira. Aliás, esta não foi a única mudança forçada da verdade durante o regime ditatorial. Chegaram até a proibir o livro de Stendhal, o fantástico "O Vermelho e o Negro", por acharem que se tratava de obra comunista ou anarquista (em função das cores do título). A obra era de 1830 e retratava a obsessão de Julien Sorel pelo sucesso, oscilando entre a conquista da hierarquia eclesiástica e a militar. O vermelho era a cor da farda utilizada pelo exército francês (mais tarde, alterada) e o preto das batinas.

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