sexta-feira, 2 de setembro de 2011


O novo aderiu ao velho; O povo foi enganado

Parte I
Quando o velho adere ao novo é porque o progresso chegou. Mas quando acontece o contrário, significa que o que se supunha ser a novidade, era na verdade uma farsa. Esta talvez seja adjetivação mais apropriada para nos referirmos ao cenário político de Parauapebas desde 2004. O povo supôs estar fazendo a mudança, quando na verdade estava promovendo o continuísmo. Não é que o prefeito Darci Lermen pertença à mesma linhagem política de Bel Mesquita, sua antecessora. A comparação é meramente analógica. Serve-nos apenas para discorrer sobre os métodos que ambos os segmentos têm e chegarmos à conclusão de que não há diferença relevante.   
Bel governou para a elite. Deixou o povo sem um campus universitário; as nossas crianças estudando em escolas de madeira sob um teto de amianto; o povo a respirar nas ruas da periferia o mau cheiro de esgoto a céu aberto misturando-se à poeira proliferada por falta de asfalto; Parauapebas também sentiu sede porque a prefeita não ampliou o sistema de abastecimento de água; e viu o seu povo amontoar-se e perecer nas filas do hospital público sem atendimento.
Foram oito anos de desgoverno bem observados por Darci Lermen. Serviram-lhe de cursinho preparatório para repetir os (não) feitos. Em quase sete anos de gestão do aprendiz, Parauapebas não ganhou o prometido campus universitário. Ele, mesmo sendo do partido da presidenta Dilma, o PT, não soube articular-se em Brasília, e o município acabou perdendo o a Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa); os anexos ainda existem e as crianças têm que enfrentar o turno da fome para não ficarem fora da escola; o povo continua a sentir sede e a fenecer nas filas do hospital – do velho, pois o novo não foi concluído.

Darci e Bel: são mandados e apanham. Não precisava que fossem tão parecidos

E as semelhanças não param. Assim como a sua antecessora, Darci padece do mal de todos os políticos sem personalidade forte: é mandado por quem na verdade deveria obedecê-lo. Se Bel Mesquita não conseguiu sentir o gosto de ser prefeita de fato porque tinha a seu lado Welney Lopes, o mandachuva de plantão, a quem todos obedeciam – inclusive ela própria –, Lermen tem Hernandes Margalho. Este é o homem que escolhe quem sai, quem fica e o que fazer. O prefeito assina.
Quer mais coincidência? Welney Lopes era secretário da fazenda de Bel Mesquita. Hernandes Margalho também guarda as chaves do cofre da prefeitura.

Submissão doméstica

Outra irônica semelhança entre a ex-prefeita e o atual é a submissão doméstica. A capacidade absoluta de subordinação na vida pública tem raízes psicológicas que começa em casa; no quarto para ser mais específico.
Explico: não é novidade contar que Bel Mesquita tinha uma vida conjugal conturbada com o homem que lhe fez prefeita, Faisal Salmen. Alguns pontapés foram cenas públicas, tendo de haver intervenção da polícia para que o round não terminasse em morte.
Para que a imitação seja prefeita, na casa de Darci Lermen a última palavra também é a dele. “Sim senhora, não senhora”. Quem manda é a primeira dama. Aos gritos a mulher o obriga a fazer o que ela quer. Mas o casal é mais discreto do que o primeiro: as tacas não são públicas, acontece na privacidade do interior casa, de onde se ouve berros do homem clamando por socorro ecoando por toda a vizinhança.  

Por: Gregório de Matos, o Boca do Inferno.

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