quarta-feira, 28 de setembro de 2011

GREGÓRIO DE MATOS: A Unifesspa e o PT!


A UNIFESSPA E O PT

Nos últimos dias testemunhamos algo que, para aqueles que têm menos de trinta anos de idade, parece uma situação totalmente nova: alunos do ensino fundamental e médio saindo às ruas em mobilização de, literalmente, parar o trânsito. Os estudantes querem incluir Parauapebas no projeto de criação da Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).
 Até aí, tudo bem. Não fosse um “pequeno detalhe”: os estudantes foram completamente abandonados pelos líderes políticos de nossa cidade.
Poderia escrever, em várias páginas, sobre todos os políticos de Parauapebas e suas antagônicas posturas – ou, melhor seria dizer incompetência, mas a conclusão será do leitor – em relação a esse constrangedor imbróglio: a perda do Campus da Unifesspa para Santana do Araguaia, cidade com menos de 40% da população parauapebense e menos de 10 % do PIB da rainha do minério; mas não, não vou fazer algo tão cansativo assim. Nesta oportunidade quero me ater somente às lideranças que têm mandato e pertencem à legenda partidária a qual sou filiado (PT).
O Partido dos Trabalhadores é a agremiação política que transformou a realidade da educação superior e técnica no Brasil. Todavia, em Parauapebas, tal bandeira não serviu de exemplo para que a bancada petista, e o prefeito, que também veste a cor vermelha, promovessem o mesmo avanço.
O motivo de termos nos quadros do Partido mandatários tão medíocres, a meu ver, não encontra fundamentos histórico-sociais. Um breve estudo biográfico de cada um nos revela grande contradição.
Vejamos:

EUZÉBIO RODRIGUES– Foi eleito vereador na condição de “representante da educação” e tem uma história de vida que poderia servir de referência para qualquer estudante pobre do Brasil.
Euzébio estudou biologia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), embora morasse em Uauá na Bahia; viajava todos os dias mais de 130 km para estudar em Petrolina. Trabalhava como garçom em um bar, onde o que ganhava dava somente para pagar o ônibus e o lanche, caso contrário seria impossível a vida de estudante na cidade onde se localizava o Campus da UFPE. Essa “peregrinação” durou exatos 5 (cinco) anos. Muita gente teria desistido, mas não Euzébio: com muita garra e determinação venceu todas as barreiras que impediriam seu sucesso profissional. No entanto, formou-se. E poderia até continuar como professor em sua terra mãe, mas no ano 1997 viajou para uma certa cidade do interior do Pará para lecionar no ensino médio – santo de casa não faz milagres. Uma vez em Parauapebas, conheceu todas aquelas pessoas que, em breve, lhe dariam a oportunidade de ser candidato como representante da categoria de professores. Dono de um carisma sem igual, conseguiu fazer amizade com Deus e o Diabo – literalmente –, ao mesmo tempo era amado pelos alunos que viam nele a oportunidade de ter alguém no poder que, realmente, poderia representá-los. Sua eleição em 2004 deve-se em muito – naturalmente – a sua simplicidade e carisma (qualidade que ele não tem mais), mas também de outro fator: sorte. Isso mesmo, sorte! Sorte em conseguir pessoas como Marleide e Eronilda, verdadeiras generais que não descansavam enquanto houvesse “guerra”. Com tudo conspirando a seu favor,a vitória veio fácil; hoje, Euzébio é vereador em seu segundo mandato.
Uma história realmente bonita, mas, ao que parece, não serviu de lição para nosso “representante da educação”. Seria natural que alguém com essa biografia se revoltasse ao saber que nossa cidade não ganhou a Universidade; e que seus alunos estariam fadados ao destino cruel da “peregrinação”, pois a cidade mais próxima a ter Campus da Unifesspa é Marabá,a 165 km de distância.
Ao contrário: na reunião com o secretário de Ensino Superior do MEC, na ocasião da explicação do porquê  da retirada de Parauapebas da lista das cidades que terá um Campus, o “representante da educação” não esboçou nenhuma reação, não disse uma palavra, apenas mandava mensagens de celular para um alguém, demonstrando um total desprezo pelo tema discutido. Entrou calado, saiu mudo e com a bateria do celular praticamente esgotada!

ZÉ ALVES– vereador que, talvez, tem a história de vida mais bonita de todos e que, também, poderia ser motivo de inspiração para muita gente.
Zé Aves chegou a Parauapebas na década de 1980; era semi-analfabeto e para comer, como não tinha profissão, passou a trabalhar como vigia de escola. Nos momentos que passava de pé abrindo e fechando portão de escola, refletia, e então concluiu que para vencer na vida teria de estudar. E assim o fez. O vigilante não perdeu tempo, procurou uma escola e com muita luta concluiu o ensino fundamental. No ensino médio escolheu cursar magistério – modalidade de ensino já extinto em fins da década de 1990 e que dava direito ao concursando lecionar na educação infantil. O estudante passou de porteiro a professor e logo veio então o segundo passo: a oportunidade de estudar em uma faculdade veio no ano de 2002 por meio de um convênio da Prefeitura de Parauapebas com a Universidade Estadual do Pará (UEPA). O curso escolhido por Zé, foi Geografia; e a cidade escolhida pela Universidade para sediar o curso foi Conceição do Araguaia, que fica a exatamente 400 km de distância da terra que, o agora professor, escolhera para morar, Parauapebas.
Começava outra fase na vida de Zé Alves que se estenderia por 5 (cinco) anos de “peregrinação”. Hoje podemos resumir a vida dele da seguinte forma: de vigia de escola a professor com nível magistério; e, depois, formado em geografia; e de professor de geografia a vereador.
Nossa! É ou não é uma história bonita?
Mas agora me digam: o que esperar de um vereador que sofreu tanto na vida para se graduar?O que esperar de uma pessoa que era forçada a viajar várias e várias horas para estudar?
O que esperar de alguém que, literalmente, teve de comer o pão que o diabo amassou para concluir seu curso superior?
Seria natural que se indignasse diante da notícia que Parauapebas não terá mais Campus da Unifesspa, não seria? Pois é, mas não foi.
Nosso vereador petista, pelo que se sabe, nunca comentou algo nem mesmo na reunião do diretório de seu partido. Nunca se mostrou indignado, nem para os amigos.

RAIMUNDO VASCONCELOS – deste pouco se tem a dizer, mesmo porque está ocupando tal cadeira não por obra de merecimento, mas do acaso.
Também não é segredo para ninguém que o mandato do ex motorista da Prefeitura Municipal de Parauapebas(PMP) é, na verdade, resultado da astúcia – talvez a palavra certa seja irresponsabilidade – do ex chefe de gabinete, Antonio Neto. Com uma coragem capaz de causar comoção em qualquer lutador de Vale Tudo, foi capaz de prometer qualquer coisa a qualquer um para conseguir o que queria: levar Vasconcelos, seu afilhado político, à Câmara. Talvez o escolhido para sentar na cadeira não tenha sido um bom nome, mas o que importa é que por detrás desse vereador estaria alguém capaz de conduzi-lo para o caminho certo. Triste engano.
Esse “alguém”, Antonio Neto, passou muitos anos lecionando matemática nas escolas públicas de Parauapebas como professor leigo, pois sua formação superior era pedagogia. Sou testemunha ocular de que era um ótimo professor, mesmo lecionando em uma área para a qual não tinha a devida formação.
Antonio Neto sempre foi um apaixonado pelas ciências exatas e um aficionado pelos segredos que guardam os números. Tenho convicção de que se hoje ele não é um matemático deve-se somente ao fato de não ter tido a oportunidade de cursar, pois em Parauapebas, na sua época estudantil, somente o curso de pedagogia foi ofertado. Se nossa cidade, à época, tivesse um campus universitário, fatalmente a educação parauapebense perderia um pedagogo, mas ganharia um ótimo matemático.
É muito estranho ver um vereador que representa alguém que foi impedido de realizar seu sonho, por falta de um campus universitário, calar-se diante da “notícia catastrófica” – a perda da Unifesspa.
Passei a me indagar: será que foi o Antonio Neto ou o Raimundo Vasconcelos que não se deu conta do “trágico acontecimento”? Ou será que foram os dois? Ou ainda, será que os dois perceberam e, o que é pior, nada fizeram? 

MIQUINHAS – é praticamente impossível olhar a trajetória de vida de alguém como a do Miquinhas e não se emocionar. Uma pessoa que vem de família muito pobre, analfabeto, que não tinha perspectiva para nada, só a de ser trabalhador rural – trabalho digno –, conseguir chegar à câmara de vareadores de um município como Parauapebas é algo, no mínimo, singular e que merece todo nosso respeito.
O que não da para entender é como um vereador analfabeto de uma cidade que acaba de perder um Campus Universitário não se indigna com o fato, fica calado e não diz nada.
O grande presidente Lula também teve uma trajetória de vida de muitos sacrifícios e privações, não teve a oportunidade de cursar uma faculdade, seu grande sonho. Em ocasião de sua primeira diplomação de presidente da república no mês de dezembro de 2002, aos prantos, discursou dizendo que faria de tudo para que todos pudessem ter a oportunidade que ele não teve: cursar uma faculdade e ter um diploma de curso superior.
Não seria óbvio que o vereador Miquinhas, também aos prantos, se coloque em revolta ao saber da funérea derrota de Parauapebas, pois seus amigos, seus filhos, os filhos de seus amigos, seus vizinhos, seus eleitores, todos foram privados daquilo que ele mesmo um dia também foi, mas ao que parece, “nosso” vereador é outro que também não foi tocado pela notícia. Será por quê?

DARCI – falar de antagonismo e não citar nosso prefeito é algo quase impossível. Explicarei o porquê.
De sua história confesso que não sei muita coisa, mas também confesso que das informações que obtive – acidentalmente –, me pareceu uma história de vida muito sem graça, repetitiva, até quase um clichê, apenas mais um sulista vindo para o norte querendo tornar-se o salvador da pátria; sobe ao poder e se torna uma pessoa desprezível.
Desse “projeto de prefeito” vale lembrar – vou começar a explicação – que ele foi eleito pelo partido do presidente Lula, aquele mesmo que, chorando, disse que iria fazer de tudo para que todos pudessem ter a oportunidade que ele não teve; e cumpriu. O PT do Lula criou mais escolas técnicas do que todos seus antecessores juntos – pode somar desde a proclamação da república; criou dezenas de novas faculdades federais e novos projetos continuam sendo anunciados pela presidente Dilma. O PT do Lula e Dilma, definitivamente, mudou o Brasil para sempre e a educação foi, sem sombra de dúvidas, a área que mais sofreu o impacto da transformação; mas em Parauapebas o PT de Darci não consegue, sequer, acabar com o “turno da fome”. Quase oito anos de governo e nada! E olha que isso foi uma promessa de campanha de 2004.
Sei que muita gente ficou até mesmo revoltada com o representante do MEC, pois sua posição na reunião com os representantes de Parauapebas não foi a que esperávamos. Todavia, convenhamos: quem levaria a sério um governo desses que na área da educação mantém tal “turno intermediário”, onde, no Brasil não há nada que possa ser comparado? E olha que nem quero comentar dos anexos, outra “brincadeira” do governo petista de Parauapebas.
Fugindo pouco do tema, gostaria de abordar outro assunto que demonstra, igualmente, como nosso prefeito é totalmente contrário às orientações do PT de Lula e Dilma, pois o que mais me impressiona é saber que existe um governo do PT – o de Parauapebas –que mantém uma OSCIP na administração de sua saúde pública.
Pasmem, o PT de Lula e Dilma move uma ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a participação de OSCIP em áreas da educação e saúde pública.
Para mim é obvio: O PT de Darci está mais próximo do PSDB de Serra do que do PT de Lula e Dilma.
Volto a afirmar: Será que o MEC, Ministério de um governo que leva tão a sério a educação em nosso país, que vem transformando o Brasil com ações de destaque internacional, que é fiel às propostas de mudança social de seu partido, o PT, iria levar a sério um prefeito que administra sua cidade como o mais incompetente e corrupto prefeito do PSDB? Pelo o amor de Deus! Nós não temos o direito de ficar com raiva do secretário de ensino superior do MEC, pois em seu lugar faríamos o mesmo.
Para finalizar, gostaria de lembrar mais outra coisa, caro leitor: quando foi eleito em 2004, o Darci Lermen registrou sua candidatura como “Professor Darci”, pois lecionava no ensino médio a disciplina de filosofia.
Não é irônico – ou cômico, não sei – um professor que se fez prefeito e que agora não se importa com a qualidade da educação que é oferecida em sua cidade.
Como diria o poeta: “um dia vou-me embora pra Pasárgada... Em Pasárgada tem tudo.
É outra civilização”.
Um abraço e até breve!

 

7 comentários:

  1. Meu deus, que absurdo!
    Votei errado.
    Duas vezes.

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  2. esse merece total atenção à leitura. Muito boom.

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  3. Quer dizer que o A. Neto até professor de matemáica já foi!? Que cabra Arretado!

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  4. Por que esse tal Gregório não definiu o histórico do secretário de educação R. Neto? Seria interessante!

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  5. www.soldocarajas.blogspot.com30 de setembro de 2011 13:08

    O BLOG percebeu esse lapso do Gregóriro, mas vamos esperar. Gregório, no caso UNIFESSPA, esqueceu de figuras importantes do desgoverno, corrupto, de DARCI LERMEN. Estranhamente, GREGÓRIO poupa alguns operários do "giz". De qualquer modo, GREGÓRIO é formidável!

    O SOL DO CARAJÁS é fã do GREGÓRIO. Admirável esse BOCA DO INFERNO!

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  6. Quero ver esse Gregório escrevendo do R. Neto, fazendo uma comparação com o antes e o depois.
    Vai ser engraçado! KKKKKKKK!

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  7. Só não entendo o porquê de o Sol do Carajás e o Boca pouparem o Secretério "nota 10" comprador de prêmio fajuto com dinheiro público Raimundo Turno da Fome Neto.

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