terça-feira, 16 de agosto de 2011


As bandeiras de Fernando Haddad


Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - Uma grande cerimônia para anunciar a expansão das universidades federais servirá nesta terça-feira, 16, de palanque para a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), à Prefeitura de São Paulo. Pela primeira vez desde que seu nome apareceu como cotado para disputar a eleição municipal de 2012, Haddad vai ganhar um megaevento no Palácio do Planalto, com direito a elogios da presidente Dilma Rousseff. 
A solenidade foi cuidadosamente preparada para jogar os holofotes sobre o desempenho de Haddad como gestor. No domingo, ele foi chamado para uma reunião com Dilma, no Palácio da Alvorada, junto com outros ministros. Além de quatro universidades federais (duas na Bahia, uma no Ceará e uma no Pará) e 47 novos campi, Haddad também anunciará a criação de mais 208 escolas técnicas.
de uma espécie de portfolio do ministro da Educação para a campanha do ano que vem. Apadrinhado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na sexta-feira percorreu com ele a 1.ª Feira Literária Infanto-Juvenil, em São Bernardo do Campo, Haddad sofre resistências dentro do PT. É considerado um técnico sem militância política e não integra a corrente majoritária do partido.
Ex-prefeita, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) está com a campanha praticamente montada para a sucessão de Gilberto Kassab (PSD) e não esconde o aborrecimento com os movimentos de Lula. "Se não quiser ganhar, Lula vai com Haddad", disse ela, em entrevista publicada pelo Estado, há dez dias.
Além de Marta, outros três parlamentares estão de olho na indicação do PT: o senador Eduardo Suplicy e os deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini. Lula, porém, já avisou à cúpula petista que não quer prévia para a escolha do candidato à Prefeitura. Na sua avaliação, a disputa interna provoca desgaste desnecessário e dá munição ao adversário.
Nos bastidores, o ex-presidente já está desenhando a campanha de Haddad. Lula conversou com Dilma, com os prefeitos do PT no ABC e na Grande São Paulo e também chamou Luiz Dulci, ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, para ajudar o titular da Educação a montar o programa de governo.
Em conversas reservadas, petistas dizem que a prisão de Mario Moysés, no rastro da Operação Voucher da Polícia Federal, causou grande prejuízo eleitoral a Marta. Moysés foi chefe de gabinete de Marta quando ela era prefeita (2001 a 2004) e secretário executivo do Ministério do Turismo na época em que a petista estava à frente da pasta. 
Na semana passada, a senadora disse estar "indignada" com a tentativa de vincular seu nome ao escândalo. "Mario Moysés sempre foi uma pessoa correta quando trabalhou comigo", afirmou ela. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, integra a tendência "Mensagem ao Partido", a mesma de Haddad. Ele nega interferência na operação. "Jamais cometeria um crime para fazer o controle político da execução de uma ordem judicial." 

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